NÃO QUERO PÃO. QUERO DINHEIRO!

Já falei várias vezes sobre o chapadão que anda pela rua catando lixo e fazendo biscates lá perto de casa.
Num dos dias de carnaval, estava chegando da padaria, com uma sacola com pão, mortadela e queijo.
Com fone no ouvido, escutando Van Halen, alto, bem alto mesmo, voltava para casa.
Fui interrompido pelo sem teto.
Patrão!
Patrão!
Patrão!
Ele gritava para mim.
Sem chance de escapar de seu bafo de cachaça e suas trôpegas palavras, parei e fui dar atenção para ele.
Ele me pediu trinta centavos.
Patrão, tava querendo comer um pão com polenguinho e tá faltando trinta centavu. Dá pramerumar os trinta centavu?
Durante alguns segundos, pensei em dizer-lhe não.
Mas lembrei: dá de comer a quem tem fome.
Abri a sacola e lhe disse:
– Cara, os trinta centavos eu não vou te dar, mas te dou o pão.
Estiquei a mão com o pão para ele.
Ele vira para mim e declina o oferecimento, e emenda.
– Eu quero comer pão com polenguinho. Num quero só o pão.
Retruquei dizendo que não ia dar o dinheiro.
Veio direto na mente a dose da cachaça por cinquenta centavos.
E ele tinha vindo do botequim para falar comigo.
Entre comer e beber, ele prefere a água de cunho etílico e também transparente.
É difícil ajudar pessoas assim.

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