O FIM DE 2009 pt 2

Nestes últimos dias, devido as ações da Prefeitura do Rio, vários ideotas de plantão resolveram sair de seus ralos e lançar suas idéias nos meios de comunicação.

Talvez a mais coerente tenha sido uma resposta-pergunta que alguém fez: se legalizar o ilegal, o que os ilegais farão na ilegalidade?
Legalizando as drogas, o que os traficantes irão fazer de suas miseráveis vidas com tanto armamento?
Assaltar bancos?
Assaltar e sequestrar transeuntes incautos na rua?
Tentei ajudar um garoto de 18 anos, que estava dentro do movimento.
Durante estes quatro anos até morrer no dia 31 de Dezembro de 2008, uma coisa pude perceber: mesmo fazendo uma pequena parte, não dá para ir de encontro ao sistema.
Que pune quem não cometeu nenhum crime.
Mas tem que cumprir uma pena de abandono familiar, educacional e social.
Os casos de pessoas de comunidades que se tornam bem sucedidas servem de exceção para tornar a regra válida.
O dinheiro fácil, a aparente tranquilidade não torna ninguém feliz.
Quando conheci este amigo que morreu, ele fazia tatuagem.
O pai era traficante. Morreu quando ele tinha uns 9 ou 10 anos.
A herança que ele recebeu e as lembranças que ficaram para ele, são as bolsas de dinheiro que o pai mandava para casa e que ele recebia como pensão depois da morte paterna.
O Estado não se preocupa com estas coisas.
Até porque, sempre aparecem suspeitas e acusações dos governantes e legisladores envolvidos com o tráfico.
Mesmo querendo sair do movimento, ele não consegue ficar afastado das podres tentações do tráfico.
Mesmo ganhando mais dinheiro com tatuagens do que com o tráfico de entorpecentes.
Os valores da comunidade são bem diferentes da nossa ética do asfalto.
Quem nunca teve poder, ou nunca terá oportunidade de viver outra vida, o tráfico dá esta opção.
Gerenciando o comércio ilegal, ele teve uma desavença com outro meliante.
Desafio de poder.
Igual ao velho oeste.
Sacou a arma tem que atirar.
Não pode levar desaforo para casa, senão perde a suposta autoridade.
Matou o bandido.
Quando soube que ele tinha matado o outro bandido, fui conversar com ele.
A palavra que ele usou para o momento era que não tinha sido ele, que tinha sido outra pessoa que tinha descarregado a arma.
Por isso não sentia remorso, culpa ou qualquer sentimento.
Ele me contou que quando era criança, sua avó o havia dedicado as entidades espirituais em um terreiro.
Tinha feito a cabeça e que ouvia vozes.
Sua avó o classificava como um futuro medium.
Por mais que se possa conversar, falar de outro caminho, a semente lançada pode não germinar imediatamente no terreno espinhoso.
As vezes depende da terra ser preparada para que a semente germine e floresça.
Não tive tempo, nem talvez a dedicação necessária para que isto acontecesse.
O pior que estava já nos meus planos agora em Janeiro continuar de onde parei.
Voltando a mãe chorosa, ela levou a causa para o poder paralelo que rapidamente sem burocracia decretou a execução do assassino.
Nos morros controlados pela facção do crime ele não poderia entrar com risco de ser executado.
Nas comunidades controladas pela facção rival menos ainda.
Conclusão: foragido do poder paralelo foi se dedicar a fazer tatuagens.
Estava bem.
Longe do movimento, não usava mais drogas.
Veio visitar a mãe no dia 31.
Foi a última visita que fez.
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