CRIPTOMNÉSIA

O sentido oculto de algumas situações nos reportam a momentos distantes de nossas vidas.
Não quero perfumar o ar com naftalina.
Não sou saudosista para dizer: com os militares o Brazil era melhor.
Quinta passada estava conversando com um amigo que tecia suas reclamações eclesiásticas. Também estava presente um conhecido de longa data, 10 anos mais velho que eu.
Engraçado que o mais velho, lembrou do tempo que eu era considerado um marginal na comunidade religiosa que pertenço.
Eu usava camisas com estampas do Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Pink Floyd, etc para freqüentar os serviços religiosos.
Certa vez, jovens de uma igreja do Espírito Santo estiveram em intercâmbio com os jovens da minha. Nesta época, estava cansado do discurso vazio e exclusivo. Fui participar apenas por curiosidade do que por vontade.
Fui com uma camisa que tinha a capa do disco do Black Sabbath Live Evil.
A capa tem os elementos das muzks contidas no antigo LP.
Como tem um estereótipo de satanás na capa, as pessoas vinham me condenar a arder nas chamas do inferno. Lembrando que o anjo caído, era o mais o mais belo do céu. Nada a ver com a imagem que a igreja católica criou e que os evangélicos adotaram.
Mas os evangélicos não são contra imagens?
Eu estava a margem do processo, nunca concordei com estes aspectos exclusivos das igrejas batistas.
Se não andasse conforme as determinações deveria estar excluso.
Nunca incluso.
Tudo muito velado, sem bula papal ou encíclica que determinasse o que seria feito. Conversas no pé do ouvido, reuniões a portas fechadas.
Hoje em dia muita coisa mudou. As coisas são mais claras.
A segunda intenção está bem evidenciada.
Infelizmente.
Nossos hospitais da alma se tornaram sanatórios da alma.
Em vez de libertar, aprisiona.
As segundas intenções fazem parte do conjunto de ações de muitas pessoas.
Em vez de ajudar, criticam, murmuram e saem cuspindo suas frustrações como se fossem verdades absolutas.
Isto chegar a ser um processo psicológico inconsciente.
Muitos podem até participar do julgamento, sendo promotores, juízes e carrascos determinando o que seja certo.
Eu acredito que cada pessoa tem o líder que merece.
Se ele é omisso, ele é apenas um reflexo seu.
Se ele é atuante, é porque eu me empenho em participar, ajudar e cobrar para que as coisas não sejam um mar morto.
Estava assistindo um dos episódios da segunda temporada de Arquivo X Audrey, Scully explica as atitudes e visões de uma policial estavam acontecendo em razão de acontecimentos absorvidos pelo inconsciente.
Talvez meu amigo que vociferava suas reclamações eclesiásticas tenha sucumbido ao ardor da falta de participação e do falso moralismo que alguns levantam como bandeira de suas vidas.
Estar a margem do processo, não indulta ninguém da responsabilidade do que está errado.
Dizer eu não sou assim, não faço isso ou aquilo é fácil.
Difícil é participar e ser instrumento de mudança.

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