A VESTIMENTA RELIGIOSA

No domingo fui assistir Aos serviços da minha igreja.
Sensação diferente, pois não ia mais com a responsabilidade de tocar.
Apenas fui sem compromisso.
Para ouvir.
Cheguei uns 20 minutos antes de começar. Fiquei sentado na pracinha que tem na entrada do templo, aguardando o horário de começar. Senti-me um pouco deslocado. Faziam alguns anos que a principal ocupação era tocar.
Muita coisa acaba se perdendo.
Enquanto aguardava, um homem de sandália franciscano, camiseta regata vermelha, bermuda caqui e mochila nas costas se aproximou do portão. Ele não entrou. Pela grade de ferro, começou a conversar com um dos introdutores (recepcionistas). Não ouvi o diálogo. Só observava a distância. A conversa durou alguns minutos. E o homem sempre na grade pelo lado de fora.
O recepcionista se afastou e o homem ficou no mesmo lugar observando as pessoas entrarem, serem cumprimentadas com um sorriso e se encaminharem para o templo.
O recepcionista voltou com um copo dágua e deu para o homem através das grades. Ele bebeu e novamente falou mais alguma coisa para o atendente. Depois de mais alguns minutos, o recepcionista novamente se afastou, agora para outro lado.
Outro introdutor trocou algumas palavras com o homem nas grades e continuou a fazer sua tarefa: receber as pessoas, distribuir o boletim dominical e sorrir. Em outras palavras: atender bem as pessoas.
E o homem continuava atrás das grades.
O primeiro introdutor voltou agora com um copo de café. Deduzi que fosse, pela cor do líquido dentro do copo descartável. O homem atrás da grades e do lado de fora pegou o copo e seguiu seu caminho.
Pela reação do homem atrás das grades, a impressão que passava era de passividade e que sempre recebeu as coisas através das grades.
Entrei no templo e fui sentar na galeria.
Começaram os serviços religiosos.
Sentaram na minha frente, uma senhora com um turbante e saia colorida, colar dourado e uma jovem de calça jeans e blusa branca.
Durante o ofertório, a senhora resolveu dar algum dinheiro. O diácono (leia mais sobre diáconos em IDIOSSINCRASIA) que estava recolhendo as ofertas chegou perto da senhora e falou algo para ela. Acho que a roupa pouco ortodoxa da senhora chamou a atenção do diácono.
Ele ainda voltou e perguntou para a senhora se ela era evangélica.
Pelo que pude perceber, ela respondeu que sim.
Fiquei pensando nos introdutores e imaginando como eles reagiram a chegada da senhora.
Será que tentaram deixar ela do outro lado da grade e satisfazer sua sede com um copo dágua?

Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais tará sede. João 6:35

Em algum ponto da história cristã, foi institucionalizado a vestimenta religiosa domingueira.
O certo é você se vestir de terno e gravata.
Nada de turbante e roupas coloridas.
Mas onde está escrito que para receber a palavra de Deus devemos trajar uma determinada vestimenta?
O melhor foi que o culto da noite terminou com uma canção africana de adoração a Deus num dialeto de uma tribo de lá. Será que os introdutores e diáconos cantaram ou aquilo não era muzk certa para o local?
Ainda bem que no céu não terá introdutores, recepcionistas ou diáconos dando a água da vida através da grade.

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