AS OVELHAS E O LOBO

Lembro-me quando trabalhava numa editora religiosa, e fui promovido a Gerente de Marketing, eles esperavam que eu fizesse o papel subserviente de ovelha, tal qual nas igrejas que meus superiores pastoreavam.
Eu era um dos poucos no cargo de gerência que não era pastor. Nesta editora, por ser religiosa, pastores a dirigiam. Não porque eram capacitados, mas porque eram pastores.
Procurei exaustivamente na Bíblia, o manual dos crentes, qualquer coisa que dissesse ou confirmasse a superioridade intelectual dos pastores, acima de nós pobres mortais para exercerem funções de liderança ou gerência.
Não encontrei.
Se alguém sabe onde tem, aceito a indicação da passagem.
Aliás, esta ilustração de ovelha tem sido usada de forma que beneficia interesses pessoais, posturas fascistas de pastores de diversas correntes evangélicas.
Criam editoras, abrem lojas, distribuem CDs de cantores e bandas, etc. Em suas igrejas e filiais, em programas de TV ou rádio, só participam os cantores que façam parte do seu cast .
Isto porque em algum momento de sua vida, Deus revelou apenas para ele, este ministério…ops…este império evangélico comercial.
Não sou contra pastores, mas não sou a favor que desempenhem funções além da sua capacidade. Muitos pastores apenas estudaram teologia, e somente isto, não os capacita a exercerem ou atuarem em áreas fora de sua especialidade.
Acredito que pela capacidade de liderança devem escolher pessoas de diferentes áreas para ajudarem a decidir, pensar, executar as tarefas de sua igreja.
Na editora na qual trabalhei, os pastores-gerentes exerciam funções além de suas capacidades. E muitos até na área teológica deixavam a desejar.
Acho que na editora tudo era um reflexo da sociedade.
Se na política temos homens corruptos, homossexuais enrustidos, adúlteros e ladrões.
Na editora tinhamos pastores corruptos, homossexuais enrustidos, adúlteros e ladrões.
Não há como acabar com isto nas nossas instituições, mas o desejo de todos seria que isto fosse a excessão para provar a regra. E não a honestidade e compromisso fossem a exceção.
Os políticos se utilizam dos currais eleitorais. Cheio de ovelhinhas sendo guiadas para votarem no candidato escolhido pelo coronel, pelo dono das terras.
Os pastores carismáticos conduzem seu rebanho da mesma forma. Dizendo o que consumirem, o que está certo, em quem votarem. Que Bíblia devem usar, ou que muzk devem cantar.
Ainda bem que as igrejas são democráticas, e o voto da maioria ampara as decisões. Igreja: democracia plena.
Ninguém pode ou deve questionar a autoridade divina, recebida pelos sacerdotes atuais. Mesmo que suas idéias e atitudes sejam diametralmente opostas aos preceitos por eles ensinados.
Esta situação não é um privilégio evangélico. Se observarmos a atuação de padres nas questões das terras e o MST. A Igreja Católica possue a maior parte das terras sem uso e não promove em suas próprias terras a reforma agrária.
A profusão de igrejas evangélicas, como nomes variados, divididos em segmentos diversos (renovado, espiritualista, tradicional,etc.) tem como funções confundir, iludir e beneficiar alguém.
É muito importante ninguém questionar o chamado divino recebido.
E muito menos estar contra a vontade do deus-pastor.
Estes líderes precisam de obediência cega. Liderados mudos.
A ovelhas serão tosquiada e muitas ainda, servirão de alimento.
O lobo e os coronéis da religiosidade agradecem a nossa passividade.
Agora uma dúvida: a igreja não devia ser Teocracia?

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